Paulo Camelo

Poesia é sentimento. O resto é momento.

Textos

Cotidiano II
Acorda cedo, sem tomar café,
e vai comprar comida no mercado,
uma rotina que ela cumpre a pé.

E, ao retornar, mostrando um ar cansado,
as roupas lava, estende no varal,
enquanto espera pelo pão assado

e com manteiga, que faz tanto mal...
Passa o café, que, quente e muito forte,
exala um cheiro bom, sem outro igual.

Um queijo duro, pronto a levar corte,
é o complemento de seu desjejum,
na tapioca, que aprendeu no Norte.

Acorda os filhos todos, um a um,
prepara-lhes os lanches para a escola,
uma rotina que lhe é comum,

e veste as fardas, ajeitando a gola.
Então, volta a fazer um pão bem quente
e com manteiga tanta, que descola

a nata derretida, sem ruído.
Então, sem se esquecer de que é mulher,
Retorna ao quarto e acorda o seu marido.

Acorda cedo, sem tomar café.

18/11/2014
Paulo Camelo
Enviado por Paulo Camelo em 18/11/2014
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