Paulo Camelo

Poesia é sentimento. O resto é momento.

Textos

Soneto 72 de William Shakespeare
Autor: William Shakespeare
Tradução: Paulo Camelo

Que o mundo não te obrigue a recitar
o que escrevi de mim, do meu amor.
Após a morte, joga tudo ao ar:
não provarás em mim nenhum valor.

Talvez outra mentira virtuosa
aumente o meu valor, pois não mereço
o teus louvores mais em verso e prosa;
essa verdade injusta não tem preço.

O teu amor tão puro não pareça
essas mentiras ditas emmeu nome;
e eu, sepultado, já não te ofereça
o que te envergonhar, se te consome.

Eu me envergonho do que faço a ti,
se dás valor a mim, que já morri.
Paulo Camelo e William Shakespeare
Enviado por Paulo Camelo em 21/03/2026
Alterado em 05/05/2026


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