Paulo Camelo

Poesia é sentimento. O resto é momento.

Textos

Soneto 113 de William Shakespeare
Autor: William Shakespeare
Tradução: Paulo Camelo

Assim que eu te deixei, o meu olhar,
que está na minha mente e que me guia,
é quase cego, já não quer olhar,
parece ver, mas já não tem valia.

Ao coração não mostra o que apreende,
ou flor ou pássaro, ou qualquer forma,
a mente se abstrai, já não entende,
o que a visão retém não se conforma.

E, se a visão vê rude ou vê suave,
ou doce, o que ela vê sai deformado;
o dia é noite, o mar tem forma grave,
o corvo é pomba... és tu, teu corpo amado.

Assim, pleno de ti, sou incapaz
de ver como verdade tudo o mais.
Paulo Camelo e William Shakespeare
Enviado por Paulo Camelo em 14/04/2026


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